CONTEÚDO, COMUNICAÇÃO, RELACIONAMENTO
02Jun
2017

Imobilhados estreia na Capital

Os dilemas, a intimidade e os desafios de convivência entre moradores de um prédio de apartamentos servem como pano de fundo para o espetáculo Imobilhados, primeira produção do grupo Máscara EnCena, com estreia marcada para o dia 2 de junho, 20h, na sala Álvaro Moreyra. Convidando o espectador a testemunhar fragmentos da vida dos moradores, a peça faz uso da máscara expressiva, técnica que não permite o recurso da fala ao ator, fazendo com que a interpretação seja feita através de gestos, ações e movimentos coreografados. Assim, os atores em cena revelam as particularidades de nove personagens e expõem seus segredos, anseios e fragilidades.

Moradores

O prédio funciona como um microcosmo. Entre os seus habitantes, encontram-se os mais variados tipos de pessoas: uma mulher carente e romântica, um homem recém chegado de uma cidade do interior, um velho ranzinza, uma mulher bem resolvida e hippie, a síndica maníaca por limpeza. A mulher carente e o caipira vivem um romance; a hippie se estressa constantemente com o velho rabugento; a síndica incomoda o faxineiro, e assim por diante. Situações hilárias - e outras dramáticas - se desenvolvem, em retratos simples e poéticos da vida humana.

Máscara expressiva

O grupo, formado em 2014 pelos atores Alexandre Borin, Camila Vergara, Fabio Cuelli e Mariana Rosa, estudou diferentes territórios teatrais que possuem a máscara como expoente para a criação do espetáculo. As principais referências artísticas foram a Cia Familie Flöz, na Alemanha e a École Philippe Gaulier, na França. Depois do levantamento, o grupo convidou a diretora Liane Venturella para comandar a direção da peça. A trama propõe ao espectador presenciar a dimensão da máscara expressiva em uma narrativa singular, sem falas e contextualizada no convívio entre os moradores. A potencialidade da máscara é posta em cena através do jogo teatral e da força imagética das cenas, revelando a profundidade das relações humanas em um ambiente de convivência que é tão comum aos habitantes de cidades. As personagens expressam suas paixões e conflitos através de estados corporais, que são ações acompanhadas de sentidos, como, por exemplo, o “estado da alegria” ou “estado da depressão”.

Um prédio em cena

Para dar vida ao edifício, o cenário da peça é composto por uma estrutura em andaimes com dois andares, simulando oito apartamentos e um elevador, construído em plena sala Álvaro Moreyra. Cada apartamento representa um universo particular que dialoga com a personagem correspondente. O público, por sua vez, acompanha o desenrolar da trama a partir do centro da sala cênica, ocupando uma posição expiatória e de testemunha.

Luz e som

A iluminação é concebida pensando nesses espaços de moradia e no direcionamento do foco e sua execução é pensada para denotar uma atmosfera intimista. A trilha sonora original, criada e executada por Caio Amon, acompanha essa construção e configura sentido ao jogo teatral, compondo atmosferas distintas de acordo com a cena e possibilitando que o próprio espectador crie sentido à dramaturgia. Por fim, o figurino é pensado a partir da personalidade de cada máscara e personagem, buscando uma unidade através de cores vibrantes e intensas, que representam a paixão humana e latino-americana.

A estreia de Imobilhados acontece no dia 2 de junho, às 20h, na sala Álvaro Moreyra, no Centro Municipal de Cultura, Arte e Lazer Lupicínio Rodrigues (Av. Erico Verissimo, 307). A temporada segue até o dia 18 de junho, com sessões as sextas-feiras, sábados e domingos, sempre às 20h.